sábado, 5 de março de 2011

Soneto de Separação





 De repente do riso fez-se o pranto
 Silencioso e branco como a bruma
 E das bocas unidas fez-se a espuma
 E das mãos espalmadas fez-se o espanto

 De repente da calma fez-se o vento
 Que dos olhos desfez a última chama
 E da paixão fez-se o pressentimento
 E do momento imóvel fez-se o drama
 De repente não mais que de repente
 Fez-se de triste o que se fez amante
 E de sozinho o que se fez contente
 Fez-se do amigo próximo, distante
 Fez-se da vida uma aventura errante
 De repente, não mais que de repente


Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim

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